Conseguir um emprego está cada vez mais desafiador. A concorrência é grande, as empresas estão mais exigentes e muitos profissionais sentem que precisam apresentar um currículo quase perfeito para conseguir uma entrevista.
Mas até onde uma pessoa pode ir para chamar a atenção de um recrutador?
Temos visto situações em que candidatos aumentam suas responsabilidades anteriores, dizem ter formações que nunca concluíram ou apresentam experiências profissionais que, na realidade, nunca tiveram.
É importante entender que existe uma grande diferença entre valorizar a própria experiência e inventar uma trajetória profissional.
Um bom currículo deve mostrar o melhor da sua carreira, não criar uma carreira que nunca existiu.
Valorizar a experiência não é a mesma coisa que mentir
Imagine que você participou de um projeto importante dentro de uma empresa. Trabalhou com outras pessoas, contribuiu com ideias e ajudou a alcançar bons resultados.
Você tem todo o direito de destacar essa experiência no currículo.
Agora, dizer que foi responsável por liderar todo o projeto, quando isso não aconteceu, já é outra história.
O mesmo vale para a formação acadêmica. Ter feito cursos em determinada área não significa possuir uma graduação ou uma certificação profissional.
Também existem profissionais que aumentam o tempo de experiência, inventam cargos de liderança ou apresentam resultados que não foram alcançados por eles.
O problema é que essas informações podem até ajudar a conseguir uma entrevista, mas também criam expectativas que o profissional talvez não consiga atender.
E quando a verdade aparece, a confiança pode desaparecer.
Será que as empresas também têm responsabilidade?
Essa é uma questão que merece atenção.
Muitas vagas de emprego apresentam listas enormes de exigências. As empresas procuram profissionais que dominem diferentes ferramentas, tenham anos de experiência, conheçam vários processos e ainda apresentem uma série de habilidades pessoais.
Em alguns casos, parece que estão procurando três profissionais diferentes para ocupar uma única posição.
Diante disso, candidatos qualificados podem começar a acreditar que suas experiências nunca são suficientes.
Mas será que a solução é acrescentar informações falsas ao currículo?
Certamente não.
As empresas precisam avaliar melhor o que realmente é necessário para cada função. E os candidatos precisam aprender a apresentar suas competências de maneira clara, sem inventar qualificações.
A responsabilidade deve existir dos dois lados.
E quando a inteligência artificial escreve o currículo?
Hoje, muitas pessoas utilizam ferramentas de inteligência artificial para criar ou melhorar seus currículos.
E não há nada de errado nisso.
A tecnologia pode ajudar a organizar informações, melhorar a escrita, identificar competências e adaptar o currículo às exigências de uma vaga.
O cuidado está em revisar o resultado.
Imagine pedir para uma ferramenta melhorar a descrição de uma experiência profissional e receber um texto dizendo que você liderou equipes, desenvolveu estratégias ou aumentou resultados em 40%, quando nada disso aconteceu.
O texto pode até parecer excelente, mas não representa sua experiência real.
A inteligência artificial deve ajudar você a contar melhor sua história, não inventar uma história diferente.
Por isso, antes de enviar qualquer currículo, leia com atenção e tenha certeza de que consegue explicar e comprovar as informações apresentadas.
Uma carreira não precisa ser perfeita para ter valor
Nem todos os profissionais seguiram uma trajetória linear.
Algumas pessoas mudaram de profissão, passaram períodos fora do mercado de trabalho, aceitaram cargos diferentes dos anteriores ou precisaram recomeçar a carreira em outro país.
Isso não significa que tenham menos valor profissional.
Pelo contrário. Muitas dessas experiências desenvolvem habilidades importantes, como capacidade de adaptação, comunicação, organização, resolução de problemas e trabalho em equipe.
Na minha experiência profissional e no trabalho com mentoria de carreira, percebo como muitas pessoas têm dificuldade para reconhecer o valor da própria trajetória.
Às vezes, o profissional possui competências importantes, mas não sabe como apresentá-las.
E é justamente aí que entra a importância de construir um currículo bem elaborado.
Não se trata de inventar conquistas, mas de identificar o que você realmente fez, quais resultados ajudou a alcançar e como suas experiências podem contribuir para uma nova oportunidade.
A confiança também faz parte do currículo
Um currículo pode abrir portas, mas é a combinação de competência, comportamento e confiança que ajuda a construir uma carreira sólida.
Não existe problema em mostrar seus pontos fortes, destacar suas conquistas ou buscar uma apresentação profissional mais atraente.
O problema começa quando a apresentação deixa de representar a realidade.
Antes de acrescentar uma informação ao currículo, vale fazer uma pergunta simples:
Se o recrutador me pedir para explicar essa experiência durante a entrevista, conseguirei falar sobre ela com segurança e honestidade?
Se a resposta for não, talvez seja hora de rever o que está escrito.
Afinal, você não precisa ter uma carreira perfeita para ser um bom profissional.
Precisa reconhecer o valor da carreira que realmente construiu.
E você, o que pensa sobre esse assunto? Mentir no currículo pode ser considerado uma estratégia para conseguir emprego ou é uma atitude que compromete a confiança desde o primeiro contato?
Tatiana Niculitcheff-Lautner
Mentoria de Carreira | Desenvolvimento Profissional | Carreira Internacional